domingo, 16 de janeiro de 2011

Domingos matinais...

Uma matina mais, um sono a menos
gole na agua ,e abro lento os olhos
pensamento se foca , se comprime
depois se solta , se redime

Mesmo dentre 4 paredes, tenho certeza
de que lá fora, o silêncio tem um tom maior
certo mesmo, lá na missa, o padre, sem rusga
dá sua bênção, pois "Deus ajuda quem cedo madruga!"

Assisto o sol, ouço belas canções, baianos e novos caetanos
"Alegria em nome das estrelas, e folia em nome de reis"
decido , me disponho, mas depois como um baiano, "preguiço"!
assim vai ficar difícil, especular algo, dar ao dia um inicio.

Refletir o ontem com essência de que hoje ainda não existe
esticar o corpo em intensa preguiça, pensar lentamente
sentir se sozinho, livre, talvez feliz, apreensivo apesar do dia lindo
um despertar que nasce antes dos outros, minha manhã de domingo.

Agora posso levantar e ir tomar café...




sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Um lugarzinho alí...















A mente vai descalça, com meus passos abertos
Voando por um tempo, onde não há espaço
O caminhar aqui é diferente ...

Entre trilhas, pequenos obstáculos, entre uma bela mata.
À medida que caminho, penso sobre a vida,
e sua bela relação com esse meu caminhar, pois ambos almejam destino e enfrentam obstáculos.

Difícil, assim como na vida, materializar o ponto final.
Na vida ainda não, mas aqui nessa caminhada, cheguei!
Carinhosamente apelidada de "Itacarézinho", vislumbro, observo...pensar, se torna difícil!

Pés na areia, um papo, um siri andando junto à vida de lado, uma latinha na mão.
Olhos passeiam , garotas que não são de ipanema, mas que com ainda maior maestria,
caminham num doce balanço à caminho do mar.

Do outro lado, vejo um bebê, mechendo e remechendo em uma mochila...
Transmitindo uma paz e a alma mais pura que existe nesse mundo.

Um capricho divino, guardou esse lugar, para que o homem um dia apreciasse.
Uma outra vida, Itacaré. Lugar onde o tempo para, onde a natureza nos toca.

Lembro, que a noite reserva muitas festas, amigos e reggae!
Mas agora quero me contentar, quero apreciar o sentimento do que assisto.
Olhares, sentir sua essência e suas lições.

Onde aprendemos com sua perfeição, harmonia e paz, a simplesmente sermos o que ela nos proporciona sentir que somos, não a imagem espelhada do que queremos que os outros enxerguem em nós.



quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Meu avô velho.

Acho interessante e bonito a maneira em que a vida nos proporciona momentos, que justificam e comprovam, que instantes, podem ter a intensidade eterna!

Meu avô é uma pessoa já de idade avançada, que ensinou a mim e à todos que o conheceram, valores de dignidade, amor, seriedade e trabalho, que por sua vida, trilharam com uma marca impecável em seu caminho. É lindo como ele guarda até hoje, um olhar sereno, coração de sonhos ,justiça e fidelidade entre todos.

Ele guarda também, um gosto musical imenso e variado! Discos, melodias e canções que durante anos , ele nunca deixou de apreciar e deixar tocar esse mesmo coração duro de trabalhador.

Eu creio que a herança que já tenho em vida dele é exatamente isso. Quem me conhece , sabe do meu eterno prazer em colecionar musica.

Apesar do amor, admiração, e de morarmos tão próximos; a eterna busca de "lugar algum" que a vida jovem e o capitalismo nos pressiona a manter, nem sempre nos proporciona momentos juntos, como agora a pouco.

Um sofá, dois sentados, ouvindo canções italianas, expelindo palavras, comentários e olhares simples, sorrisos, sinceros e calmos, à medida que saia um disco e outro, uma faixa e outra.

A paz que senti durante aquele momento, foi algo único!

Olhei para os céus, senti algo forte, veio aquele nó na garganta, um pouco de água nos olhos, acompanhados de um sentimento , um prazer gigante e inigualável, por simplesmente estar ali, aos seu lado, ouvindo belas canções, olhando seus dedos calejados pelo tempo e pelo trabalho tocarem os discos com carinho, assistindo seu olhar sábio, que por vez ou outra , deixava escapar um sorriso de criança em meio sua face de avô.

Isso me fez acreditar , que mais uma vez, precisamos nos entregar à momentos, instantes e pessoas! Precisamos aprender isso mais!

Acreditar que o amor, existe por uma questão simples, terna e eterna de sentir, não de ter ou manter!

O que sinto por ele , encontrou aquele momento ali para se manifestar. Comprovando que o que esse amor por ele, não foi feito pelos anos de convivência , por simplesmente ser família, pelos "Bom dia, bença Vô", pelos abraços de natal ou nada assim.

O amor, não precisa de explicações nem convivência para existir...mas precisa de instantes para que possamos o deixar se manifestar, e nos emocionar.

Vô, te amo.