segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Desabafo 01 (jan/2012)

Que mal há em se libertar das amarras? Ter coragem de caminhar um pouco pra fora da caverna que te protege e te faz sombra, se sou brasileiro não quer dizer que tenho que ser um estereotipo, não! Não é necessário saber sambar, torcer pro futebol nacional, e me esforçar em ser feliz a cada feriado.

Tudo bem podemos até fazer piadas, afinal parecemos ser “os melhores dos melhores em fazer piadas de nós mesmos”. E nesse processo parece até esquecemos que era só uma piada e contemporaneidade incorpora as mazelas e se alto referencias em padrões efêmeros da historia recente, assim esquecendo dos valores construídos ao longo da historias.

Assim se desvirtua a condição de mulher, de homem, do homossexualismo, a condições raciais, religiosas e até políticas (se é que ainda pode haver idealismo partidário) e toda segmentação que for possível. Cada um com sua bandeira e seu nível de suma importância que o impede de deixar de olhar para o próprio umbigo.

Não, posso me deixar levar pelo sistema político/financeiro/consumo/alienante, afinal seria de impressionar que num telejornal em questão de minutos possam ser mostradas as desgraças de famílias pobres que marginalizadas pelas grandes cidades, perdem o pouco de materialismo onde apóiam suas dignidades para as chuvas de verão. E logo em seguida é saudada com veemência a violência com que pobres consomem os “saldões” em que grandes redes varejistas oferecem seus estoques a 70% de desconto, sem choro nem piedade é pegar e levar sem poder reclamar é só pegar seu carne de 24 parcelas.

Assim estabeleço um paradoxo em que um fogão ainda poderá ser parcelado em apenas 12 meses sem direito de reclamação, e assim que liquidada a divida, poderá estrelar ladeira abaixo alguma reportagem sobre as enchentes de 2013.