Sou parte ou particípio de tudo aquilo ou aqueles passaram pelo meu caminho, me orgulha ou me ressente saber que assim deixei troféus ou cacos quebrados pelos caminhos alheios. Assim eu realmente deveria ficar quietinho, não falar, não escrever, não pintar, não desenhar nem nada... O mundo parece já está tão cheio de verdades, as pessoas tão covardemente cheias de si, que qualquer coisa feita pra o bem comum não pode ser absorvido e rapidamente corrompido e rapidamente usado como ato heróico de um ou poucos.
Tenho pouca fé na humanidade, pra não dizer nenhum, ela não consegue ter fé em si mesma... É eu me incluo nisso, por maior que seja, minha disciplina não consegue manter a força das minhas virtudes, o meu amor vacila, meu egoísmo range os dentes e a vaidade mancha a limpidez dos meus atos... Pobre ser humano, que se perde na equação sem resposta que é viver e negando o que tem de mais concreto que é morte, dia após dia se acostuma com a situação e se convence que é a melhor vida possível que poderia ter.
Feliz paixão aquela que dói na saudade daquilo que nem viveu ainda, que atravessa, que questiona, que produz, que conclui... Mas que acima de tudo reconhece a angustia de existir e logo depois não mais. Reconhece a importância do momento e carrega gratidão.
Tento manter em mente, que estamos muito alem do ponto de partida, mas muito aquém de algum tipo de ponto de chegada... A vida é terreno muito instável pra me conformar, os conformismos deixo paras os cavalos e qualquer outro animal que aceite sela da vida. Admiro qualquer atitude que reconheça e anule aspectos que limitam sua capacidade de ser, mesmo que pra isso eu mesmo tenha que sair derrotado... Estabelecer a plenitude de suas capacidades e preencher os céus da Normandia com a esperança de sua vitória sobre a vida é o que me alimenta.