sábado, 20 de novembro de 2010

Um dia de cada vez.

Hoje, sexta feira, talvez uma como qualquer outra, mas já fui umas três vezes na janela e acho que essa é uma das sextas mais lindas que já vi. Talvez seja mesmo, ou talvez o meu olhar pra coisas simples que tenha mudado.

Depois de muitos acontecimentos, um em especial me deu a ultima “porrada” que precisava pra perceber a vida de forma diferente, ou pra eu mesmo voltar para o eixo, Uma morte, uma perda surreal de certa forma. Convidado junto com minha mãe pra celebrar os 70 anos de minha tia num domingo de almoço e churrasco em família, poucas pessoas e familiares mais próximos, foi um dia realmente alegre, crianças gritando, cachorro trançando nas pernas das pessoas, conversas sobre problemas do mundo e brincadeiras sobre coisas banais. Em um determinado momento percebi minha tia em paz, mas uma paz alegre de satisfação familiar, essa minha tia foi uma pessoa que sofreu muito durante toda a vida, chegando a passar fome com filhos pequenos e dormir na rua, mas ali naquele domingo, ela estava sentada em sua sonhada mesa de vários lugares, dando um almoço em sua casa própria e com seus filhos criados e honestos... É... O olhar dela era de paz e satisfação e a alegria correu o dia.

Então na manhã seguinte fui surpreendido com a ligação avisando sobre o falecimento dela durante a noite, provavelmente dormindo e sem muito sofrimento, mas naquele momento o sentimento que mais me abateu foi o medo, não o medo da morte, mas da vida ou de não viver, de não participar da vida das pessoas que amo ou de não ter aquela paz e satisfação no olhar no fim.

E me dei conta de todas as regras e convicções bestas que acabam regendo nossas vidas, todos os “não” que agente mesmo se dá ao reprimir vontades e coisas que gostaríamos de dizer ou fazer, e como sem perceber acabamos não participando de nossas próprias vidas e dos outros também, e fico pensando em todos os jeitos e remédios que temos hoje pra prolongar a vida. Mas a troco de que? O que será mais importante o comprimento ou largura da vida, cada um deve se perguntar o que preferi uma vida longa sem problemas ou uma larga cheia de aventura.

Se a minha vai longa ou larga não sei ainda, mas a grande maravilha do ser humano é poder refletir e mudar, pois viver é um exercício diário de aprendizagem que deve ser vivida com intensidade e paciência, não espere demais pra um dia poder viver, mas também não tenha urgência demais para com o mundo, a verdade que só se pode viver um dia, um dia de cada vez.

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